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quarta-feira, 18 de maio de 2011

Insetos Interiores


"Não mensuram suas perdas e imposturas [...] Assim são os insetos interiores." ( Anitelli)

Tenho insetos interiores, do qual escuto zumbidos de clemência e pedidos de liberdade, entre as colisões contra minha alma, tentam voar para a fuga. O barulho chega ao ponto de ensurdecer a mim mesmo. Sinto constantemente o veneno de alguns deles introjetando em meu coração, outros perambulando no meu estômago. Entre todos não há um mau, pois são necessários.

Eu tampei as brechas da alma com telas vazias, que não server para filtrar, e sim para barrar tudo o que ali passa, na indiferença injusta. Por isso estão presos, por culpa minha. Sem sair, eles usam de suas capacidades: Parasitam os meus pensamentos!

Os insetos querem esquentar-se de seu sangue frio. Chegou a hora de libertá-los e eles parecem saber disso. Eriçam suas asas, beliscam cascas alheias, atropelam suas crias, aumentam os chiados, estão prontos para se cegarem para a luz de fora. A ansiedade os impede de se organizar.

Na verdade, não sei se realmente todos querem saber os significados dos zumbidos que irão escutar, mas a única certeza é de que terão flores amigas que alojarão o pólen e os lamentos carregados por meus insetos, outras flores jorrarão repelentes para afastá-los. Porém, creio que somente isso não me freia mais.

A minha flora é fértil, meu chão está adubado. As flores que me acompanham serão por mim generosamente regadas com gratidão. Flores que não me ornamentam, considerarei plantas daninhas, pois retiradas, colorirá o meu jardim!

De hoje em diante, serei sempre eu mesmo, de modos diferentes e da melhor maneira que sou capaz!



Bruno Léus

quinta-feira, 5 de maio de 2011

Felicidade pela fechadura





"A alegria e o sofrimento são inseparáveis como compassos diferentes da mesma música." (Hermann Hesse)





Estou a escutar a felicidade batendo na porta, com fortes estrondos de quem sofre pelo frio. Não sei ainda se minha casa esta pronta para ela. Fico em duvida se a toalha de mesa que escolhi para aguardá-la combina com as xícaras do chá já frio pela demora de minha decisão. Já não sei ao certo se esse é o momento exato de ela entrar.

As minhas mudanças estão muito recentes, ainda em caixotes pela sala, cobertos por jornais de noticias alheias, com conteúdo inspirador. Algumas caixas ainda estão lacradas, e creio que não as abri desde a ultima mudança, pois já estão velhas e empoeiradas. será que a felicidade iria gostar de desvendar o conteúdo delas esquecidos, junto a mim? Pois bem, saberei somente quando destrancar a porta trêmula pelas fortes batidas.

A felicidade tem paciência, escuto ela em uma perseverança injusta pela minha falta de agir. Não entendo o porque de que eu ainda finjo ausência, já que minhas luzes estão todas acesas. Não tem como me esconder. Enfim, respiro e troco os lençóis. Estabilizo as xícaras, para o chá que o bule agora apita na cozinha. Tudo quente novamente. Tento abrir a porta, e ela emperra nas caixas das lembranças, nos jornais, no receio. Nada espero da aparência da felicidade, quero somente que ela venha e desarrume a casa, deite no sofá e entorne chás por todos os meus tecidos.



Uma boa semana a todos! =)

quarta-feira, 20 de abril de 2011

auto-retrato





"A partir de hoje, serei o autor de minha próprias fotos. Não deixarei de ser retratos para os outros, mas começarei a olhar para minhas próprias lentes. Meu close é para dentro de mim mesmo. Creio que por mais paisagens que possam incrementar e preencher minha vida, serei eu o meu ponto central. Farei poses diversas para os meus problemas, sorrirei com todos os meus dentes, olhos e rugas."
(Bruno Léus)

domingo, 17 de abril de 2011




Sou feito de nostalgia, de saudades, escrevo sob e sobre a melancolia
Me entorno com doses e medidas não padronizadas
Minhas palavras são tortas e não tão positivas
Mas quem falou que temos que desenhar pássaros pra mostrar que sabemos voar?

sexta-feira, 8 de abril de 2011

Rabiscos


Rabisco páginas em branco, preenchendo com alguma vida, quiçá a minha. Creio que essa folhas gostam disso, de ser imortalizadas, mesmo que a decomposição as visite em algum tempo. Se as palavras escritas em suas linhas fazem sentido ou não, acredito que isto pouco importa para elas. Antes se indignarem com os textos rabiscados e rasurados impiedosamente, do que ser mais uma página amarelada entre tantas outras sem peso algum. Folhas nasceram com a vocação de acariciar ou agredir os olhos do leitor, eu apenas contribuo a elas.

"Flashes são úteis para quem enxerga no escuro
Eu sou luz, brilho, faço seus olhos avermelharem
Te assusto, mas te faço abraçar quem está ao seu lado
Fotos me fazem ver tristes felizes
Fazem imortalizar o que às vezes nunca foi"

terça-feira, 22 de março de 2011

Retrovisor


Pelo retrovisor enxergamos tudo ao contrário
Letras, lados, lestes
O relógio de pulso pula de uma mão para outra
E na verdade nada muda
O menino que me pediu R$0,10
É um homem de idade no meu retrovisor
A menina debruçando favores toda suja
É mãe de filhos que não conhece
Vende-os por açúcar, prendas de quermece
A placa do carro da frente
Se inverte quando passo por ele
E nesse tráfego acelero o que posso
Acho que não ultrapasso
E quando o faço nem noto
Outras flores e carros surgem no meu retrovisor
Retrovisor é passado, é de vem em quando do meu lado
Nunca é na frente
É o segundo mais tarde, próximo, seguinte
É o que passou e muitas vezes ninguém viu
Retrovisor nos mostra o que ficou
O que partiu, o que agora só ficou no pensamento
Retrovisor é mesmice em trânsito lento
Retrovisor mostra meus olhos com lembranças mal resolvidas
Mostra as ruas que escolhi
Calçadas e avenidas
Deixa explícito que se for pra frente
Coisas ficarão pra trás
A gente só nunca sabe que coisas são essas...

Fernando Anitelli