Pesquisar este blog

sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Passagens


"Mais uma estação e a saudade no coração!" (Lenine)

E em meio a todos aqueles confetes, enxergo-a fazendo as Malas:

-Vamos, já não consigo ver certeza nessa felicidade- Disse ela entre o amarrotar das roupas - Os caminhos se modificam, sem um chão preso às minhas sapatilhas! Não há nada de mesmo nisso tudo!

Pobre Menina! Ela ainda não enxergou que as malas com qual partira, já não eram as mesmas que quando chegou.


terça-feira, 23 de agosto de 2011

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Plan'Alma

"Alma! Como um reflexo na água, Sobre a Ultima camada..." (Zelia Duncan)


Queres uma alma não é?
Ou melhor, um corpo alma minha?
Quão perto você me vê?
Ao me embaçar entre os vapores
que me despertam e me demaquilam,
ainda vejo que reflito ai
Presencia meu mau-humor,
E sendo assim, ainda me inveja?
Sinto um desagrado ao saber disso.
Como me reflete, deve ser também a minha inveja
Invejo de teu interior de remédios,
Pois minha alma adoece sem curas
Invejo seus cremes dentais
Que nada condiz com sorrisos amarelos
que me volto ao não-reflexo

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Café e Guache

"Fiz um retrato calado, do falado teatro da vida, vim por trás dos olhos sem saber" (Los Porongas)

Cada passo, penso, eu posso!
Já fiz tudo o que pude com minhas paletas
Modifiquei as cores e meus contornos
Abstrai as formas que pareciam certas,
me tornei assimétrico, mas preciso!
A tinta ainda fresca me cheira a café solúvel
Trago ela em goles ainda quentes,
Ainda sem açúcar, mas não tão amargo
Digiro na minha arte, minha ente arte
Me colorizo por dentro, cada pincel me contorna em língua
Me falo, me traduzo, me inspiro
As tintas se intensificam, e tendem a fundir
Dão sentidos, sentem-se por elas mesmas
Me movimentam, não secam
Os vermelhos já sabem onde vão,
E sabem pra que me servirão
Santa minha arte, Abstração de minha compreensão!




segunda-feira, 4 de julho de 2011

Sou

"Seja como for, mas SEJA" (Kid Abelha)

Andando dentro de mim,

Agora sinto o chão frio em que piso.

E como custou para achar esse chão!



terça-feira, 14 de junho de 2011

Samba da Aurora

"Dance até sem saber dançar" (As Frenéticas)




E em meio a três acordes, eu ouso acordar para uma nova dança
Já deixei nos sonhos os temores da batida do bumbo
Gosto do estrondo, do estrago
Tiro a vida pra dançar, e ela me conduz nos seus passos tortos
Pisão no pé e desafino do violino fazem parte do compasso
Harmonia não se encontra na minha pista
Colido em pares atraídos pela minha melodia
E nessa dança o que importa é se esbarrar

domingo, 12 de junho de 2011

Cartas de Diz Amor

"Todas as cartas de amor são Ridículas. Não seriam cartas de amor se não fossem Ridículas." (Fernando Pessoa)



Desisto
Já não escrevo mais cartas de amor, pois elas são sinceras demais
Elas me mostram mais do que eu realmente devia

Para quais motivos frasearei alguém em meus versos?
Quantas palavras usarei em vão?
Já não escrevo cartas, de amor ou de cobranças
Os remetentes não se encontram mais onde deviam
Os selos já não valem mais com meus carimbos
Desisti de escrever cartas e versos

Não entendo o que se escreve,
Ou para que me escrevo
Os garranchos em mim já se tornam propositais
Letras se misturam entre as outras, se unem em protesto
Rasgam-se folhas, amassam as palavras, divorciam os sentidos
Não escrevo mais cartas de amor

Meus envelopes estão pequenos para a carta
Não querem servir para acolher palavras
Penso em outras formas, mas todas são quadradas
Penso nas cartas, pois não quero outro jeito
Não quero engarrafar minhas palavras e jogá-las ao mar
Quero uma correnteza, um destino, uma certeza
De ontem em diante, já não escrevo cartas de amor