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sexta-feira, 15 de julho de 2011

Café e Guache

"Fiz um retrato calado, do falado teatro da vida, vim por trás dos olhos sem saber" (Los Porongas)

Cada passo, penso, eu posso!
Já fiz tudo o que pude com minhas paletas
Modifiquei as cores e meus contornos
Abstrai as formas que pareciam certas,
me tornei assimétrico, mas preciso!
A tinta ainda fresca me cheira a café solúvel
Trago ela em goles ainda quentes,
Ainda sem açúcar, mas não tão amargo
Digiro na minha arte, minha ente arte
Me colorizo por dentro, cada pincel me contorna em língua
Me falo, me traduzo, me inspiro
As tintas se intensificam, e tendem a fundir
Dão sentidos, sentem-se por elas mesmas
Me movimentam, não secam
Os vermelhos já sabem onde vão,
E sabem pra que me servirão
Santa minha arte, Abstração de minha compreensão!




segunda-feira, 4 de julho de 2011

Sou

"Seja como for, mas SEJA" (Kid Abelha)

Andando dentro de mim,

Agora sinto o chão frio em que piso.

E como custou para achar esse chão!



terça-feira, 14 de junho de 2011

Samba da Aurora

"Dance até sem saber dançar" (As Frenéticas)




E em meio a três acordes, eu ouso acordar para uma nova dança
Já deixei nos sonhos os temores da batida do bumbo
Gosto do estrondo, do estrago
Tiro a vida pra dançar, e ela me conduz nos seus passos tortos
Pisão no pé e desafino do violino fazem parte do compasso
Harmonia não se encontra na minha pista
Colido em pares atraídos pela minha melodia
E nessa dança o que importa é se esbarrar

domingo, 12 de junho de 2011

Cartas de Diz Amor

"Todas as cartas de amor são Ridículas. Não seriam cartas de amor se não fossem Ridículas." (Fernando Pessoa)



Desisto
Já não escrevo mais cartas de amor, pois elas são sinceras demais
Elas me mostram mais do que eu realmente devia

Para quais motivos frasearei alguém em meus versos?
Quantas palavras usarei em vão?
Já não escrevo cartas, de amor ou de cobranças
Os remetentes não se encontram mais onde deviam
Os selos já não valem mais com meus carimbos
Desisti de escrever cartas e versos

Não entendo o que se escreve,
Ou para que me escrevo
Os garranchos em mim já se tornam propositais
Letras se misturam entre as outras, se unem em protesto
Rasgam-se folhas, amassam as palavras, divorciam os sentidos
Não escrevo mais cartas de amor

Meus envelopes estão pequenos para a carta
Não querem servir para acolher palavras
Penso em outras formas, mas todas são quadradas
Penso nas cartas, pois não quero outro jeito
Não quero engarrafar minhas palavras e jogá-las ao mar
Quero uma correnteza, um destino, uma certeza
De ontem em diante, já não escrevo cartas de amor




sábado, 28 de maio de 2011

Aluga-se Ternos



" Um belo dia resolvi mudar..." (Rita Lee)


Aluga-se ternos.
Todos com alguma vida já usada,
Com algum momento já registrado
Com flores cansadas na lapela.

Contém cores claras, escuras,
Riscos de giz e vidas com riscos,
Por mais precavido que tivesse sido,
Alguns contém manchas de vinho
Um sinal de que com eles celebrei,
Festas agora alinhadas em cabides.

Alugo os trajes que não combinam com meus novos chinelos,
Tornando alivio para meus calos
Apenas alugo por não estarem sob minha medida
Que não me trazem mais ternura
Alugo ternos.




quarta-feira, 25 de maio de 2011

Amar é dar bom dia!

"A medida do amor é amar sem medida" (Victor Hugo)

Entre uma manhã e outra na verdade nada muda,
São todas iguais, cantadas por galos e sinos
O frio da manhã se esquenta entre as pessoas nos corredores dos ônibus
A lei da inércia se aplica nos rostos desconhecidos
Pessoas das quais, os olhos jamais serão vistos novamente,
Dai vem a pergunta: será que elas já foram amadas hoje?

Gente indo a determinado lugar, querendo ficar realmente onde estavam
Saem entre os suspiros dos filhos enrolados em suas cobertas,
Entre beijos nas testas das esposas
Já sabe que não será amada até o retorno para os braços deles

Sempre há uma necessidade de um bom dia
O ânimo aparece mesmo em uma escassa esperança
Onde ontem era motivo de desatinos,
O sorriso misturado entre duas palavras podem trazer a pessoa para si
E fazer ela estar para os outros,
Sempre há a necessidade de ser desejado um bom dia!

Amar é dar bom dia!
Ame as pessoas que verão uma vez na vida
É apenas uma semente que pode trazer jardins na vida alheia
Ame, cada vez mais de modos diferentes
Pois o sentimento do amor é grande demais
Talvez precisaria de varias vidas para utiliza-lo por inteiro

Deseje o bom dia mesmo que o seu esteja com desagrados
Talvez com um sorriso, você mudará o sentido de seus problemas
O dia não é feito de um só momento
E o tempo na verdade é do universo de quem vê

Ame a mim, aos outros, aos estranhos e aos familiares
Transforme seu dia, mude sua fala
As dificuldades é sempre menor do que somos capazes

Um lindo dia aparece sempre para quem vê o sol através do dia nublado
Aparece para quem vê o verde da grama através da lama da chuva
Aparece no sentir o calor do abraço amigo através do vento frio
Amar é dar bom dia, Bom dia a todos! =)




quarta-feira, 18 de maio de 2011

Insetos Interiores


"Não mensuram suas perdas e imposturas [...] Assim são os insetos interiores." ( Anitelli)

Tenho insetos interiores, do qual escuto zumbidos de clemência e pedidos de liberdade, entre as colisões contra minha alma, tentam voar para a fuga. O barulho chega ao ponto de ensurdecer a mim mesmo. Sinto constantemente o veneno de alguns deles introjetando em meu coração, outros perambulando no meu estômago. Entre todos não há um mau, pois são necessários.

Eu tampei as brechas da alma com telas vazias, que não server para filtrar, e sim para barrar tudo o que ali passa, na indiferença injusta. Por isso estão presos, por culpa minha. Sem sair, eles usam de suas capacidades: Parasitam os meus pensamentos!

Os insetos querem esquentar-se de seu sangue frio. Chegou a hora de libertá-los e eles parecem saber disso. Eriçam suas asas, beliscam cascas alheias, atropelam suas crias, aumentam os chiados, estão prontos para se cegarem para a luz de fora. A ansiedade os impede de se organizar.

Na verdade, não sei se realmente todos querem saber os significados dos zumbidos que irão escutar, mas a única certeza é de que terão flores amigas que alojarão o pólen e os lamentos carregados por meus insetos, outras flores jorrarão repelentes para afastá-los. Porém, creio que somente isso não me freia mais.

A minha flora é fértil, meu chão está adubado. As flores que me acompanham serão por mim generosamente regadas com gratidão. Flores que não me ornamentam, considerarei plantas daninhas, pois retiradas, colorirá o meu jardim!

De hoje em diante, serei sempre eu mesmo, de modos diferentes e da melhor maneira que sou capaz!



Bruno Léus