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quarta-feira, 9 de novembro de 2011

Ser-me-Tu


"Difícil mesmo é ser!" ( Teatro Mágico)


Escrevo.
Escrevo quando me diluo e densifico
Me torno complicado demais para apenas me engolir
Me vazo, transbordo!

Escrevo como forma de desbravar
De me jogar nas desconhecidas terras
Me desafiando a sair em mata fechada
E com peito, abrir mais trilhas
Perturbando sempre minha fauna

Escrevo também porque sinto não ter voz.
Me calo e escrevo gritos,
Sou meu silêncio em seu momento de histeria
Sou o meu aflito balbuciando existência
Estás em mim, quando em mim já não estou.

Escrevo porque me amanheço
Porque de certa forma, quero aquecer os seus orvalhos
Atiçar os seus insetos interiores
Te fazer cantar os galos
Avançar em vento nas suas verdes folhas
Me fazer-te
Bomdiaficar você!

Você me Lê. Me mastiga com os olhos.



sexta-feira, 4 de novembro de 2011

Amainando velas



"Round my hometown, [...] Are the wonder of my world" (Adele)

Ah, Ubatuba!
Não olhe tão brilhante,
Não me venha com esse sol na minha pele,
Não me agarre em suas areias,
Não grude assim em meus pés,
Eu preciso ir!

Ubatuba, tenho estrada a subir,
Coisas para fazer,
Tempo pra correr!

Não apareça com essa brisa em meu rosto,
E nem com essa sombra que me desmonta, lugar lindo!

Você teima em vir e voltar, seduzir nas suas águas,
Como pode marear meus pensamentos assim?
Ubatuba, não adube tanto minhas raízes,
Elas têm de se soltar!

Deixe-me ir, prometo que volto,
Volto quando distraírem de mim no caos,
Volto pra te sentir novamente Ubatuba,
E para buscar o que de mim lá não existe!



Concerto-me

"E eu quero que esse canto torto, feito faca, corte a carne de vocês" (Belchior)


Silencio em mim mesmo, reorganizo minha orquestra

Instrumentos afinando, couros esticados

Tudo pronto!

Escutarei a sinfonia que somente cabe a mim, feito por mim.

Me Concerto!

E que esses barulhos de fora, aleatórios, não ultrapassem as portas.

Barulhos sem respeito.

Vou ignorar esses acordes sem sentidos,

Porque agora vem a melhor parte de minha música,

A melhor harmonia de mim.

Está convidado!


sexta-feira, 26 de agosto de 2011

Passagens


"Mais uma estação e a saudade no coração!" (Lenine)

E em meio a todos aqueles confetes, enxergo-a fazendo as Malas:

-Vamos, já não consigo ver certeza nessa felicidade- Disse ela entre o amarrotar das roupas - Os caminhos se modificam, sem um chão preso às minhas sapatilhas! Não há nada de mesmo nisso tudo!

Pobre Menina! Ela ainda não enxergou que as malas com qual partira, já não eram as mesmas que quando chegou.


terça-feira, 23 de agosto de 2011

segunda-feira, 22 de agosto de 2011

Plan'Alma

"Alma! Como um reflexo na água, Sobre a Ultima camada..." (Zelia Duncan)


Queres uma alma não é?
Ou melhor, um corpo alma minha?
Quão perto você me vê?
Ao me embaçar entre os vapores
que me despertam e me demaquilam,
ainda vejo que reflito ai
Presencia meu mau-humor,
E sendo assim, ainda me inveja?
Sinto um desagrado ao saber disso.
Como me reflete, deve ser também a minha inveja
Invejo de teu interior de remédios,
Pois minha alma adoece sem curas
Invejo seus cremes dentais
Que nada condiz com sorrisos amarelos
que me volto ao não-reflexo

sexta-feira, 15 de julho de 2011

Café e Guache

"Fiz um retrato calado, do falado teatro da vida, vim por trás dos olhos sem saber" (Los Porongas)

Cada passo, penso, eu posso!
Já fiz tudo o que pude com minhas paletas
Modifiquei as cores e meus contornos
Abstrai as formas que pareciam certas,
me tornei assimétrico, mas preciso!
A tinta ainda fresca me cheira a café solúvel
Trago ela em goles ainda quentes,
Ainda sem açúcar, mas não tão amargo
Digiro na minha arte, minha ente arte
Me colorizo por dentro, cada pincel me contorna em língua
Me falo, me traduzo, me inspiro
As tintas se intensificam, e tendem a fundir
Dão sentidos, sentem-se por elas mesmas
Me movimentam, não secam
Os vermelhos já sabem onde vão,
E sabem pra que me servirão
Santa minha arte, Abstração de minha compreensão!